Perdido em Milão




Desde que comecei meu blog,  meus filhos pedem que eu escreva sobre as histórias que passei na minha vida. Umas delas, e muito engraçada, hoje né porque no dia do ocorrido foi uma tragédia.
Quando fui para Itália, pra fazer meu primeiro curso de regência orquestral combinado com o italiano, fiquei hospedado em Milão, na casa de um grande amigo, chamado Jefferson, que ainda mora lá. A história começa assim:
Meu vôo estava marcado para Malpensa, e eu não tinha visto na passagem ou não tinha associado que era muito longe de Milão, pensei ser o nome do aeroporto. Quando desci do avião (na pista e não nos túneis) o ônibus foi nos apanhar na escada do avião. Entrando no ônibus ele se direcionou ao terminal e lá no alto estava escrito: AEROPORTO INTERNACIONAL DE MALPENSA
Pensei comigo: Por que não está escrito Aeroporto Internacional de Milão?  Será que estou na cidade certa? Será que em Madri peguei o avião certo? Quando entrei procurei logo uma central de informações pra me certificar se aquele era o aeroporto de Milão. A resposta da atendente foi: Sim, este aeroporto também atende Milão. Mas o senhor terá que pegar um ônibus ali fora que lhe deixará na Estação Ferroviária Central de Milão. Fica há 2h de viagem. Mesmo sabendo muito pouco de italiano deu pra entender mas quase morri de susto. Mais duas horas!!! Já tinha saído de Minas Gerais em direção à Salvador. De Salvador a Madri, e de Madri à Milão e isso já havia passado 14 horas sem contar o fuso horário.
Saindo do aeroporto liguei pro meu amigo e ele disse que estaria me esperando no ponto final do ônibus ao lado da estação ferroviária. E assim foi.
Depois dos calorosos abraços de saudações e de tanta saudade do amigo, ele me disse que havia ido de scooter (moto de baixíssima cilindrada praticamente pra um passageiro) e eu falei: Como vamos levar minha bagagem nisso, Jeff? - tranquilo Marcelo, vou chamar um táxi,  dar o endereço e vou seguindo atrás de vcs. E assim foi feito. Entrei no carro enquanto o motorista colocava a bagagem no porta-malas do carro. Ele entrou e arrancou com o carro. Cinco minuto depois eu já não via meu amigo. Depois de uma meia hora o taxista pára em frente a um prédio e diz: È qui! (É aqui). Paguei a corrida, apanhei as malas e desci. Esperei por uns 15 minutos a chegada do meu amigo e nada. Isso já era coisa de 8h da noite. Olhei para a portaria do prédio, onde o sobrenome dos moradores estão ao lado de cada campainha, e nada do nome do meu amigo.
Mais meia hora havia se passado e nem sinal do meu amigo. Comecei a ficar preocupado! Uma hora se passou, carros da polícia faziam a ronda nas ruas e já por duas vezes passaram por mim e eu, como uma estátua romana, sentado em cima das malas sem me mexer.
Meu celular havia acabado a bateria e às 23h entrei em completo desespero. Comecei a andar por aquela rua sem paradeiro nenhum só pra não ter que parar numa delegacia. Já imaginaram a situação? Sem falar o idioma, cheio de mala, vindo do Brasil, tudo estava contra mim.
Vi uma placa de um hotel e segui pra lá. Quem sabe eles têm vaga....Quem sabe possam me ajudar de alguma forma. Chegando no hotel encontrei um recepcionista que não falava inglês e naquele horário ninguém mais estava no hotel trabalhando. Tentei, mesmo com meu pequeno italiano, contar a minha situação e o recepcionista no pouco que entendeu disse: infelizmente não temos mais vagas, mas no final da rua tem um restaurante de um brasileiro, quem sabe ele conheça seu amigo.
Fui lá, e ao abrir a porta (que parecia porta dos antigos "saloon's" dos filmes de faroeste, me deparei com uma cena inusitada - o restaurante era, na verdade, um bar de streeptease. Imaginem a cena!!!
Fechei rapidamente a porta, mesmo minha libido querendo entrar, mas meu desespero era infinitamente maior. Pensei.....lógico que ninguém vai querer me dar informações aqui.
Voltei-me para a rua e saí novamente sem destino, apenas pedindo a Deus que tivesse misericórdia de mim!
Andei por 1,5 km. Isso já era mais de 1h da madrugada. Quando, na mesma rua, que fazia um "L", meu amigo estava no meio da rua andando de um lado para o outro desesperado também por ter me perdido. Novamente nos abraçamos e ele dizendo que já tinha ligado pra polícia pra me procurar (e eu fugindo dela - kkkkk) e ninguém me achava, ligou pra central de táxi e então informaram que a rua em "L" tem a mesma numeração nos dois lados.
Voltamos ao hotel onde eu tinha deixado minha bagagem pedindo uma gentileza ao recepcionista.
Depois de alguns dias já pude rir da situação. Mas chegar em outro país, sem falar o idioma direito, não é nada agradável pra ninguém. Fica a experiência!

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